Caprimulgus é um gênero de aves da família Caprimulgidae da ordem Caprimulgiformes.
Todos os representantes deste gênero são quase que exclusivamente noturnos. Possuem dieta insetívora e caçam no crepúsculo e em noites de lua cheia. Segundo Sick, utilizam apenas a visão para detecção das presas, pois ao contrário de corujas e morcegos, não possuem sensores auditivos. Os bacuraus possuem plumagem críptica, e muitas vezes a identificação das espécies se torna difícil. O macho apresenta manchas brancas nas asas e retrizes, sinais importantes para uma ave noturna durante as exibições nupciais. Nidificam diretamente no solo. Os ovos são postos em uma concavidade com ou sem nenhuma forração.
Câmara Cascudo registra o uso do bacurau como amuleto. Pena de asa de bacurau cura dor de dente e algumas outras, dispostas entre a manta e sela, fazem com que o cavalo não caia nem que salte rio cheio. O autor cita também o nome popular de mede-léguas, porque a ave passa a noite pelos caminhos, olhos acesos, contando as léguas numa medição gratuita e sem fim. Parece ter havido ainda uma lenda desaparecida da qual resta um provérbio: “é dizendo e bacurau escrevendo”, para indicar a veracidade indiscutível de uma afirmativa.
O bacurau-de-cauda-branca mede 22,5 cm de comprimento. O macho apresenta garganta e ventre brancos e a cauda branca com uma faixa medial negra muito distinta em campo. A fêmea difere pela cauda e garganta mais escuras.
É encontrado em campinaranas, lavrados e nos campos de Boa Vista (Roraima). Frequenta pastos e campos de pouso de aeronaves em fazendas.
Comum em Roraima e no Amapá e na área do Amazonas que liga entre esses dois estados. Também ocorre nas Guianas, Venezuela, Colômbia e Equador.
O bacurauzinho-da-caatinga Mede cerca de 16 cm de comprimento. Além do padrão de cores comum da família, ambos os sexos possuem uma mancha branca na asa e o macho possui a ponta das duas últimas retrizes de cor branca. Difere de outros Caprimulgus sintópicos pelo seu pequeno porte, lembrando o bacurauzinho.
Vive nas matas secas e nas caatingas arbóreas com enclaves rochosos. Repousa em areais no Nordeste ou em lajedos negros, no Espírito Santo. É facilmente reconhecido pelo seu pequeno porte e por ser um dos poucos que voa um pouco antes do pôr-do-sol, em movimentos errantes, subindo e descendo, e muitas vezes, voando em círculos. Logo ao entardecer ou alvorecer pode-se observar apenas um ou dois indivíduos, mas logo em seguida, outras aves vão chegando até formarem um grupo esvoaçante. Durante o dia, estas aves dormem em pequenas moitas nas áreas abertas.
Endêmico das caatingas dos estados do Nordeste e norte do Espírito Santo.
O bacurau-da-telha mede 23 cm de comprimento. Possui coloração escura, com larga faixa branca nas primárias, e manchas brancas nas retrizes externas e na orla da asa. O macho difere de outros Caprimulgus por essa larga faixa nas primárias, garganta branca e cauda com padrões característicos em branco, preto e ocre.
Vive em áreas semi-abertas, campos de altitude, campos rupestres, chapadas, enclaves rochosos e em algumas cidades. Apresenta hábitos crepusculares e noturnos. Durante o dia, dormem em grupos sobre os telhados em certas cidades no Sudeste e Sul, o que lhe rendeu esse nome popular.
Ocorre nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
O bacurau-de-rabo-maculado mede 19 cm de comprimento. Ambos os sexos apresentam um colar ruivo atrás da nuca, lembrando um bacurau-tesoura, mas possuem a cauda curta e quadrada. O macho apresenta garganta e a cauda branca com uma faixa terminal, além de pintas mediais brancas, muito distintas em voo.
Ocorre em buritizais, matas de galeria, campos, varjões e áreas úmidas abertas.
É um bacurau de distribuição fragmentada na América do Sul, ocorre do México à Bolívia, incluindo todo o Brasil. Ocorre nos estados do Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins.
O bacurau-de-lajeado mede 18 cm de comprimento. Espécie pequena e de plumagem muito escura, amarronzada, com mancha branca lateral, na garganta e, ponta da cauda branca. As fêmeas são totalmente escuras.
É encontrado nos carrascais sobre lajedos rochosos com frequência à beira-d'água, em rios encachoeirados e em bordas de matas ripáreas ribeirinhas. Seus hábitos são similares aos de seus congêneres.
Ocorre nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
O bacurau-chintã ocorre em todo o Brasil.
O joão-corta-pau ocorre em todo o Brasil.
O bacurau-rabo-de-seda mede 26 cm de comprimento. O macho se destaca pela plumagem muito escura e pelo padrão branco da cauda. Trata-se de uma espécie com poucas informações disponíveis.
Essencialmente florestal, habita florestas onde costuma empoleirar-se em galhos a baixa altura. É ave de muitas exigências ecológicas, não conseguindo viver em áreas degradadas.
Ocorre no leste da Amazônia e nas regiões Sudeste e Sul, nos estados do Acre, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
O bacurau-dos-tepuis mede 21 cm de comprimento. Sua plumagem é ainda mais escura que a do bacurau-de-lajeado. A espécie é pouco estudada.
Noturno, sobrevoa as matas serranas, entre 1280 a 1800m de altitude.
No Brasil, foi registrado em Roraima, na fronteira com a Venezuela, no Cerro Urutani e no Monte Roraima. Também ocorre em áreas do país citado e pequena área da Colômbia.